10 abril 2017,
 0

Sociedade Brasileira de Cirurgias Plástica informou que 18 mil procedimentos foram realizados na capital em 2016. No ranking nacional, São Paulo está em primeiro lugar com 178 mil cirurgias.

 

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) mostrou que Brasília está entre as cinco cidades do país com maior número de realização de cirurgias plásticas. A capital atingiu a marca de 18 mil procedimentos realizados no ano passado. No ranking nacional, São Paulo está em primeiro lugar com 178 mil cirurgias.

O Brasil é classificado como o segundo país onde mais se realizam os procedimentos, atrás apenas do Estados Unidos. Segundo a SBCP, os médicos realizaram 1,5 milhões cirurgias plásticas em 2016. A instituição informou ao G1 que os dados são estimativas feitas com base na média de procedimentos realizados por médico cirurgião multiplicada pelo número de profissionais cadastrados em cada cidade.

As cirurgias estéticas correspondem a 66% do total de plásticas no país. Sendo a lipoaspiração e o implante de silicone as mais frequentes. Segundo o presidente da instituição, Luciano Chaves, o número elevado de procedimentos se deve a “exposição do corpo e o culto à beleza, além do barateamento do serviço”.

“Somos um país tropical, onde a exposição do corpo e culto à beleza são maiores. Também temos uma cirurgia plástica mais acessível e vemos um crescimento muito grande das cirurgias reparadoras em função da precocidade de diagnósticos de tumores e cânceres de pele.”

 

As cirurgias reparadoras – que recuperam a funcionalidade de órgãos, deformidades congênitas ou adquiridas, fecham de feridas e queimaduras – equivalem aos demais 34% dos procedimentos.

Lipoaspiração está entre as cirurgias estéticas mais realizadas no Brasil (Foto: Amelie Benoist/BSIP/Arquivo AFP)Lipoaspiração está entre as cirurgias estéticas mais realizadas no Brasil (Foto: Amelie Benoist/BSIP/Arquivo AFP)

 

Benefício emocional

 

A busca pelo bem-estar pessoal pode ser a motivação tanto da cirurgia estética, quanto da reparadora. A última, no entanto, também cumpre a função de melhorar o convívio social a partir de uma adequação física a padrões estéticos. É o caso da otoplastia – cirurgia reparadora que corrige a popularmente conhecida “orelha de abano”.

Mutirão vai baratear cirurgias para correção de orelha de abano no Sul de Minas (Foto: Reprodução EPTV)Mutirão vai baratear cirurgias para correção de orelha de abano no Sul de Minas (Foto: Reprodução EPTV)

Para a cirurgiã plástica Ivanoska Silveira, esses procedimentos trazem benefícios a crianças e adolescentes que sofrem bullying por causa do tamanho das orelhas, e meninos e meninas que têm a mama desenvolvida. “No caso dos meninos, o deboche na escola costuma ser grande e a cirurgia ajuda a melhorar o convívio social.”

A otoplastia pode ser feita a partir dos 5 anos, mas a SBCP recomenda que a cirurgia de nariz seja feita somente na fase adulta – quando a estrutura óssea do rosto estiver completamente formada.

De acordo com a instituição, o número de cirurgias entre jovens de 13 a 18 anos aumentou em 56,6% entre 2009 e 2014. A faixa etária corresponde a 5,7% de todos os procedimentos feitos no país. O presidente, Luciano Chaves, atribui o crescimento ao maior acesso a informações sobre os procedimentos.

Neste cenário, algumas organizações ajudam pessoas que desejam fazer os procedimentos para melhorar a autoestima. É o caso do Projeto Orelhinha, que afirma oferecer descontos de até 70% no valor da otoplastia.

Eugênio Aquino, 33 anos, conseguiu cirurgia por meio do Projeto Orelinha em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)Eugênio Aquino, 33 anos, conseguiu cirurgia por meio do Projeto Orelinha em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

A SBCP também oferece cirurgias reparadoras a pacientes que não têm condições de pagar pelo procedimento. Segundo a instituição, por meio da fundação humanitária Idhea, cerca de 6 mil pessoas foram operadas nos últimos cinco anos.

As cirurgias são realizadas em mutirão “quase todos os anos”, de acordo com o presidente, Luciano Chaves. O último ocorreu em outubro e fez 1.038 reconstruções mamárias em 19 capitais.

 

Gratuito no SUS

 

No Sistema Único de Saúde, as cirurgias reparadoras são de graça. De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, anualmente são feitas 860 cirurgias no HRAN e no Hospital Regional de Santa Maria.

As mais frequentes são de reconstrução mamária – mulheres que removeram seios em tratamento contra o câncer –, reparo de queimaduras, remoção de câncer de pele e fechamento de escaras (úlceras causadas por pressão).

Preparação para cirurgia mamária (Foto:  AP Photo/Ariana Cubillos)Preparação para cirurgia mamária (Foto:  AP Photo/Ariana Cubillos)

O procedimento que sai mais caro para o governo é o que ameniza os efeitos de queimaduras. Como o paciente pode ter que passar por mais de uma cirurgia, tomar várias anestesias, fazer transfusões, uso de albumina e antibióticos, o valor gasto pode chegar a R$ 15 mil. As cirurgias de reconstrução mamária podem custar R$ 2,5 mil. As demais foram orçadas pela pasta na faixa de R$ 100.

Quem desejar fazer o procedimento reparador precisa encaminhar um formulário ao ambulatório de cirurgia plástica em uma unidade regional de saúde. A pasta informou ao G1 que a ordem de atendimento respeita o nível de gravidade de cada caso, que é avaliado pelo cirurgião responsável.

 

Perigo do excesso

 

De acordo com a cirurgiã plástica, Ivanoska Silveira, é comum que pacientes que tenham feito um procedimento muito bem sucedido queiram “sempre fazer algo para melhorar um desconforto”. Para Chaves, fazer cirurgia por vaidade “não é problema algum”, mas ele alerta para o risco dos exageros.

“Algumas cirurgias não têm indicação. Não há problema em colocar uma prótese no seio para melhorar a autoestima. O excesso está em querer fazer uma lipo quando o médico diz que não há nada para aspirar.”

 

“O médico precisa avaliar muito bem o perfil psicossocial do paciente”, diz Chaves.

 

A cobrança social e exposição virtual, segundo Ivanoska, tem levado a uma preocupação estética maior e, com isso, elevado a importância da responsabilidade médica. “Colocar uma prótese de silicone em uma menina de 14 anos não é razoável. Nem modificar o nariz de um adolescente da mesma idade que estava achando que o nariz não estava bonito.”

Fonte: G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

× Marque sua consulta através do whatsapp